Coaxo Caixeiro - #7
Um boletim aperiódico do mundo da divulgação científica brasilo-mundial (artigos e estudos, eventos e cursos, ferramentas, opiniões e análises…)
[Artigo da vez] Jargão e comunicação de covid
Shulman HC, Bullock OM. 2020. Don’t dumb it down: The effects of jargon in COVID-19 crisis communication. PLoS ONE 15(10): e0239524. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0239524
As comunicólogas americanas Hillary Shulman e Olivia Bullock examinaram o efeito do uso de jargões em três situações: comunicação sobre covid entre 24 de março e 04 abril de 2020 (logo após a OMS declarar a doença como pandemia, em 11 de março), classificada como de alta urgência; comunicação sobre risco de inundação, baixa urgência; e comunicação sobre políticas federais de risco, usada como controle.
As informações apresentadas nas 6 condições (3 situações x presença ou não de jargão) aos sujeitos experimentais eram verídicas de fontes como: a CDC (Centro de Controle de Doenças), a AAP (Academia Americana de Pediatria), a FEMA (Agência Federal de Gerenciamento de Emergência) e veículos de imprensa como New York Times, Politico e Wired. Em cada texto de 105 palavras, 20 jargões eram utilizados na condição experimental e 20 termos mais simples ou explicações dos jargões eram usados na condição de controle.
Um questionário de avaliação pelos participantes media, em pontos de 1 a 7 (maior concordância com o item), a fluência do texto (p.e. “a passagem pareceu fácil de ler”), a resistência motivada à persuasão (p.e. “eu me flagrei pensando nos modos pelos quais discordo com a mensagem que vi”), a credibilidade da mensagem (p.e. “a mensagem que vi pareceu precisa”), a percepção de risco (à saúde, à segurança e à prosperidade) a respeito do tema, e a severidade (p.e. “minhas chances de contrair/sofrer [TEMA] são altas”.
O efeito dos jargões na fluência do processamento da mensagem foi moderada pelo tópico: para o tema de política pública e de risco de inundação, a presença de jargão afetou negativamente a fluência; mas no caso da covid, o efeito do jargão não foi significativo. Quando a motivação é alta, a presença ou ausência de jargão não afeta a fluência da leitura e processamento do relato.
O jargão afetou a capacidade de convencimento do texto de modo negativo e bastante forte no caso controle (políticas públicas), também de modo negativo, mas em um nível menos intenso no caso da inundação, e não teve efeito no caso da covid. Novamente indicando o papel da motivação, no caso, acionada pelo grau de urgência do tema, na modificação do efeito da presença do jargão.
Figura 1. Variação da avaliação de características da mensagem frente à ausência (-) e presença (+) de jargões em texto de variados graus de urgência. (RMAP - resistência motivada à persuasão.)
Conclusão: “When people are motivated to process information, they will.” [“Quando as pessoas estão motivadas para processar uma informação, elas irão processar.”]
Limitações: As autoras levantam algumas limitações do estudo. Como a ampla cobertura da imprensa sobre a covid poder ter familiarizado previamente o público com os jargões relacionados à pandemia. Os participantes foram recrutados pelo serviço do MTurk, em que as pessoas recebem uma pequena recompensa monetária pelas respostas: como, no meio do experimento, o valor foi alterado (de 0,80 USD para 2 USD a fim de acelerar a coleta de dados), é possível que uma fonte adicional de variabilidade no perfil dos respondentes tenha sido introduzida, de modo a limitar a extrapolação dos resultados para a população americana como um todo.
Veja também:
GR: Divagação científica - divulgando ciência cientificamente 37: uso de jargões
[Agenda] Microbolsas para reportagens sobre energia e crise climática
A Agência Pública e a Conectas estão lançando microbolsas para reportagens sobre energia e crise climática. São quatro bolsas no valor de R$ 8.000 cada, além de mentoria para a investigação jornalística do impacto ambiental da produção de energia.
Podem participar repórteres de todo o país. É necessário enviar uma pré-apuração, roteiro de pauta, cronograma e orçamento para a inscrição, que vão até o dia 15 de março.
Para dúvidas, pode enviar email para contato@apublica.org.
Mais informações: https://www.conectas.org/noticias/agencia-publica-e-conectas-lancam-bolsas-para-reportagens-sobre-energia-e-crise-climatica Prêmio José Reis 2023
Prêmio José Reis 2023
Até o dia 05 de maio estão abertas as inscrições para o Prêmio José Reis 2023 na categoria Jornalista em Ciência e Tecnologia. A premiação, principal da área no país, é distribuído desde 1978 pelo CNPq e homenageia o médico e divulgador científico José Reis, uma das principais referências nacionais no campo.
Mais informações: https://www.gov.br/cnpq/pt-br/assuntos/noticias/premios/cnpq-abre-inscricoes-para-43a-edicao-do-premio-jose-reis-de-divulgacao-cientifica-e-tecnologica
EBDC 2023 divulga tema do evento
O EBDC 2023 (anunciado no boletim #0), que será realizado entre os dias 08 e 10 de setembro, em São Paulo, SP, anuncia o tema geral do evento para este ano: “Ciência, Comunicação e Política: Motores de Mudança na Sociedade”.
As inscrições dos trabalhos começam em maio.
[Pra conhecer] MUSA - Museu da Amazônia
A partir de uma sugestão do físico Ennio Candotti, então presidente da SBPC, de ter a própria floresta viva como objeto de exposição permanente, em 2009 foi criado o Museu da Amazônia - MUSA - em Manaus, incorporando uma área de 1 km² da Reserva Florestal Adolpho Ducke, pertencente ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ao norte de Manaus-AM, e, mais tarde, outro 0,3 km² foi cedido pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária.
Além da própria floresta amazônica - com sua vegetação, fauna, águas e terreno apresentada em visitas guiadas através de trilhas -, o acervo permanente inclui objetos etnológicos, arqueológicos, paleontológicos e geológicos que contam a história e cultura pregressas e presentes da região amazônica.
Entrada do Musa. Crédito: Mário Oliveira - MTUR/2018.
Onde encontrar: Avenida Margarita, 6305 (antiga Avenida Uirapuru), Jorge Teixeira – Manaus, AM, Brasil. Telefone: (92) 99280-9059 Whatsapp: (92) 99280-4205 Email: agendamento@museudaamazonia.org.br. Site,
Funciona diariamente (exceto quartas-feiras), das 8h30 às 17h (o portão fecha às 16h).
[Abedecedário] Cafés científicos
Ann Grand (2014), especialista em ciência aberta, define cafés científicos como:
“Café Scientifique (Café Sci, science cafés, wissenwerkstatt, tertulia, ido bata kai, science exchange, science on tap, imbizo, science salon, science in the pub – whatever they are called around the world) is a very simple concept: put a scientist and a bunch of people in an informal venue, sit them around tables, give them a glass of wine or a cup of coffee and just let them talk about the issues in science and technology that affect our everyday lives.”
[“Café Científico (Café Scientifique, science cafés, wissenwerkstatt, tertúlia, ido bata kai, intercâmbio científico, ciência na torneira, imbizo, salão científico, ciência no bar - como quer que se chame mundo afora) é um conceito bastante simples: coloque um cientista ou um grupo de pessoas em um local informal, disponha-os ao redor de mesas, dê a elas uma taça de vinho ou uma xícara de café e apenas as deixe conversar sobre questões de ciência tecnologia que afeta a vida cotidiana.”]
Para uma pequena lista de cafés científicos no Brasil:




